Coreanos, no oeste da Bahia, após cinco crianças serem encontradas mortas em vala.

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Auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Previdência Social embargaram uma obra na Vila dos Coreanos, em Formosa do Rio Preto, no oeste do estado, após cinco crianças serem encontradas mortas em uma vala. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13) pelo Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA).

 

Os auditores fiscais foram até o local do ocorrido no início desta semana e realizaram uma inspeção, conforme pedido do MPT-BA. Um inquérito foi aberto pelo órgão para investigar o caso, que apura três possibilidades para a morte das crianças.

A propriedade pertence ao grupo Doalnara, especializado na produção de alimentos orgânicos. O negócio está localizado em uma fazenda chamada de Oásis, conhecida como Vila dos Coreanos.

A obra onde aconteceu o acidente, no entanto, é de responsabilidade da Cooperativa Agrícola de Formosa do Rio Preto, que presta serviços no local. O g1 entrou em contato com a empresa, mas não obteve retorno até a última atualização desta notícia.

Relatório de interdição

O MPT-BA havia recomendado o isolamento da área e a suspensão dos trabalhos na Vila dos Coreanos em audiência realizada com advogados da cooperativa, ocorrida na última sexta-feira (6).

No relatório apresentado pelos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Previdência Social ao MPT-BA, o local do acidente foi identificado como uma obra para implantação de fossa séptica nas imediações da vila.

A auditoria fiscal do trabalho ainda aguarda documentos solicitados para concluir o relatório sobre o acidente, que deverá servir como peça-chave para a investigação do órgão.

Com a interdição formal da obra, os responsáveis pelo serviço ficaram proibidos de seguir com os trabalhos e deverão providenciar o isolamento completo da área para que não haja mais o risco de trabalhadores ou outras pessoas terem acesso ao local.

Além disso, para que os trabalhos sejam retomados ou, até mesmo, para desistir de fazer o serviço, será necessário comprovar a contratação de técnico especializado que seja responsável pelas medidas de segurança na operação da vala.

Embaixada da Coreia busca informações

 

Cinco crianças coreanas são encontradas mortas em vala na Bahia — Foto: Divulgação/Polícia Militar

Após a morte das cinco crianças, que tinham entre seis e 11 anos, a Embaixada da República da Coreia enviou um ofício para prefeituras de duas cidades baianas, a fim de coletar informações sobre o caso. A equipe da TV Oeste, afiliada da TV Bahia, teve acesso com exclusividade ao documento, no dia 9 de maio.

O ofício, enviado no dia 30 de abril, foi direcionado às prefeituras de Formosa do Rio Preto e Barreiras, na mesma região, e pede apoio das autoridades locais nas investigações.

No documento, é citada a Convenção de Viena, que estabelece um tratado entre países para mútua colaboração. Além disso, é informado que dois diplomatas se dirigiram para o local, em busca de mais informações. Eles são identificados como Gun Hwa Kim, ministro e encarregado de negócios, e a cônsul Kyung Mi Nam. Até o momento, não foi informado se os diplomatas estiveram no local.

Relembre o caso

 

Cinco crianças coreanas saem para brincar e são encontradas mortas no oeste da Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

O caso ocorreu no dia 29 de abril. As cinco crianças coreanas saíram para brincar e foram encontradas mortas em uma vala que fica dentro da Vila dos Coreanos, onde vivem cerca de dois mil asiáticos e descendentes.

De acordo com a Polícia Civil, o caso aconteceu por volta das 12h, no entanto, os pais das vítimas sentiram falta das crianças por volta das 15h. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado quando os corpos foram encontrados pelos familiares, porém, as equipes já acharam os pequenos sem vida.

Os sepultamentos foram realizados no dia 1º de maio, em um cemitério particular que fica na Vila dos Coreanos. O acesso à comunidade é restrito às 160 famílias que habitam o local.

Duas vítimas tinham 11 anos, outras duas tinham 7 e a mais nova, tinha 6. A prefeitura decretou luto de três dias por causa da tragédia.

G1 BA